domingo, 15 de fevereiro de 2009

PROBLEMA DE AGÊNCIA

Já neste blog falamos sobre a exuberante fraude contabilística perpetrada na Satyam (aqui).

No The Economist é sugerido que uma das causas ligadas à fraude foi a estrutura de propriedade da empresa, de natureza piramidal, em que no cume da pirâmide aparecem normalmente famílias que, sem terem a totalidade das acções das empresas que se vão mostrando até à base da pirâmide (e são estas na base que normalmente se encontram admitidas à negociação num mercado regulamentado), têm o controlo total.
Esta situação é vista como um problema de agência, pois existe o risco de expropriação por parte dos accionistas maioritários em relação aos minoritários, uma vez que estes não exercem controlo sobre a gestão, sendo, nestes casos de estrutura accionista piramidal, o "entricheiramento" um fenómeno comum, devido à elevada probabilidade de insucesso de eventuais ofertas públicas de aquisição (takeovers).
Isto normalmente implica que só se tenham em conta os interesses dos accionistas que exercem o controlo em detrimento dos interesses dos accionistas minoritários, materializando-se, por exemplo, na não distribuição de dividendos ou em elevados salários e outros benefícios (fringe benefits) dos gestores ligados aqueles accionistas que controlam a maioria dos votos nas assembleias gerais.
Um bom estudo (porventura até já foi feito) seria analisar a estrutura de propriedade das empresas que estão cotadas na Euronext Lisbon, no sentido de verificar a existência ou não de "pirâmides accionistas".

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